domingo, 12 de dezembro de 2010

Notas da angústia - parte I




Fiz mais do que posso, vi mais do que agüento
E a areia nos meus olhos é a mesma que acolheu minhas pegadas.

Depois de tanto caminhar, depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você.

Eu lutei contra tudo, eu fugi do que era seguro
Descobri que é possível viver só, mas num mundo sem verdade.
Pra você
Sem medo de te pertencer, volto pra você. 

(Sandy – Pés cansados) 



Fiquei com essa música na cabeça durante todo o dia e, sabe quando seu momento pede em quê meditar? Foi nessa canção. E como acredito que Deus usa quem ele quer e quando bem quer... Trago aqui mais devaneios a compartilhar. 

Essa semana passei por uma situação bem complicada com um aluno. Era uma pessoa tão amargurada com a vida, tão triste em seu olhar que não encontrei forças para dar continuidade à discussão. Eu senti que aquela pessoa precisava de um abraço, um acalanto, um aconchego... Colocar algumas dores pra fora. 

Não pude fazê-lo, mas fiquei pensando o quanto às vezes eu sou assim. Quanta mágoa eu tendo a acumular dentro de mim de tal maneira que isso afeta meus relacionamentos e tratamento pessoal. Que culpa tem o mundo em volta das dores que eu passo aqui dentro? Coisas que só dizem respeito a mim...? 

Aí me ocorreu essa música. “Fiz mais do que eu posso, vi mais do que aguento...”, quanta coisa nosso coração tem suportado! Nossos olhos têm visto imagens duras, cruéis. A gente sempre solta um “quando eu pensei que já tinha visto de tudo...”. E aí, vem coisa pior.

“Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para a glória de Deus. Por isso, não desfalecemos; ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz pra nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, mas as que se não vêem são eternas.” 

(II Co 4: 15-17) 

A idéia é que a gente não se iluda com o que pode ver. 

O sofrimento, o agora. Mas sentir a dor e se sacrificar mais um pouco para entender o motivo e a intenção. Não que sempre obtenhamos resposta, mas nessa tentativa, a gente promove um sorrir de Deus: Ele confia em mim! Confia naquilo a que os olhos são aprendizes: o invisível! 

O sofrimento é de fato, opcional. Entenda, não menosprezo o efeito do sofrimento em você, em mim, mas compreendo que ela é natural. Mas e aí, doeu. Sofrer eternamente? 

Que a dor que eu e você passamos não nos torne dormentes ante a vida que se demonstra cantando a todo tempo. Toda dor passa, e passa mesmo, por mais clichê que a minha colocação pareça agora. Ela é leve – nós é que somos crianças indefesas ante ela – e momentânea. 

Quanto aos nossos pés cansados, ah! Que eles nos levem a pastos verdejantes, de refrigério! 

Não tenha medo de pertencer a Cristo, se volte pra ele. Como estiver.

3 comentários:

Rachel disse...

Como já diz a palavra "o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".
Que a nossa esperança esteja nos amanheceres dessa vida. Ou melhor, que esteja na nossa Estrela da Manhã!

Saudades Ju!

Beijinhos

Juliane Lira disse...

Ô Vida, obrigada por sempre apoiar esses meus devaneios aqui.
E sim, que a gente aprenda a descansar no Pai porque, não adianta, no fim tudo é dEle, por ele e para Ele.
=)

Jean Francesco disse...

Oi Ju,
realmente essa música faz parte da nova fase desta boa cantora do ventre brasileiro. Sincera, direta, crua, livre e humana

E compartilho com você as mesmas linhas da angústia, e devaneios. Afinal, é uma realidade e, foi a respeito disso que falei no domingo à noite com a minha comunidade.

Deixo contigo o sentimento de paz que o Eterno nos proporciona: "... na angústia, me tens aliviado; [...] Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro".

Jean